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Cotidiano e outras rotações...  
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A música sempre esteve perto

Resolvi depois de um longo tempo, arrumar minhas pastas de cifras e partituras. Não que elas estivessem realmente desarrumadas, mas estava bem abandonadas. Como de vez em quando eu precisava de uma partitura ou cifra, quando devolvia às pastas acabava colocando sem uma ordem típica dos portadores de TOC (não que seja o meu caso [será?])...

Pois bem, são muitas partituras e cifras, bem mais as últimas. Este material foi acumulado ao longo de bastante tempo, desde que eu comecei a tocar violão pra valer, no fim dos anos 80! Naquele momento não existia a internet ou existia mas estava longe de chegar aos mortais...

Para tocar uma música (com mais de 5 acorde e com dissonâncias, claro) tínhamos poucas opções. Vejamos... A primeira era, claro, saber tocar muito bem e dominar a teoria dos campos harmônicos. A segunda era ter ouvido absoluto ou estar próximo disso. A terceira era aprender com um amigo ou professor. A quarta era saber ler partituras ou cifras. Eu tinha um pouco de cada uma das opções, mas recorria mesmo a última.

Ter um acervo de cifras era fácil. Toda banca de revista vendia os vigús, apelido carinhoso que a gente dava para as publicações com as cifras de sucesso da época e alguns dedicadas à artistas consagrados da MPB. Hoje parece fácil, basta digitar a música ou o cantor no google que o resultado mostra a cifra com a letra, tudo bonitinho, embora a qualidade seja péssima. Antes não tinha essa moleza, ter cifras era ter revistas, que prezavam muito mais na fidelidade dos acordes. Depois vieram os songbooks, especialmente os da Lumiar com o saudoso Almir Chediak, estes eram fabulosos, um "prato cheio"! Só recentemente apareceram os sites de cifras, como eu disse, muito fraquinhos, mas com um bom acervo. E quando eu descobrir, banda larga era coisa que só ouvíamos falar. Tinha que imprimir tudo, até porque, a graça era tocar em qualquer lugar e não na frente do computador.

Nunca fui de decorar canções, gosto de tantas que era e é quase impossível eu lembrar de todas. Eu levava sempre comigo uma lista enorme com o nome das músicas que eu sabia tocar, para poder lembrar. Adorava o tempo em que eu frequentava casa da Keyla, uma grande amiga, ali eu era o rei, tocava todo dia para uma roda de amigos, outros também tocavam revezando e a noite de repente virava dia...

Fui pôr em ordem minhas cifras e partituras e toquei bastante. Lembrei em vários momentos que aquelas páginas me faziam recordar dias específicos, horas agradáveis que passei, planos, amores e sonhos. Como é bom tocar um instrumento e a frase nem é minha, mas é a pura verdade caetaneada... Faz uma semana que venho tocando novamente todos os dias, na solidão... as turmas são outras, mas aos poucos quero de novo reencontrar amigos que gostam de ficar reunidos na esquina cantando... é um reencontro de quem sempre esteve perto...

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